“O conceito correto de homem é aquele que reconhece todas as suas conquistas
passadas, mas que, ao mesmo tempo, torna
o homem aberto a futuros refinamentos, à aquisição de um poder de consciência
muito além de qualquer conquista que tenha feito até aqui”.
Raramente reconhecemos que temos uma
memória de triunfos, que já conquistamos algo. É como se isso fosse deletado da
nossa história e preferíssemos contar para os outros outra versao, aquela em
que estamos tristes ou frustrados por não ser ou não ter isso e aquilo. Sem
perceber, cultivamos uma predisposição para a falta, para a escassez…
Quando Henryk Skolimowski (o que cunhou a
expressão “o teatro da mente”), autor
da ideia que apresentei aqui no
primeiro parágrafo deste texto,
fala da importância da pessoa estar aberta a “futuros refinamentos”, está sendo objetivo em nos alertar para que
mantenhamos uma atitude de disponibilidade para nos aperfeiçoar enquanto
estivermos vivos.
Muito comum é nos flagrar reclamando ou
insatisfeitos com nossas conquistas, triunfos e avanços, mesmo aqueles pequenos
no nosso cotidiano. Vencer a tentação de comer mais do que precisamos, superar
a tendência em tagarelar, ao invés de fechar nossa boca, a nossa infeliz
prática de querer saber mais do que os outros…percebe como isso deve direcionado
para nossa prática, nossa vida cotidiana?
De verdade, o que precisamos é ampliar
nossa percepção e compreensão da própria
consciência. Isso é poder para ser, para fazer, para conseguir conquistar
nossas metas e objetivos. Sem compreensão real da consciência, torna-se tarefa
pesadíssima avançar no caminho do
crescimento integral.
Já é tempo de nós desistirmos
definitivamente do desejo de não sentir culpa nenhuma, de posarmos como anjos
perfeitos…cada vez que adotamos a postura de inocência, fatalmente passamos a
ser juízes severos dos outros e, pior, cobradores impiedosos de familiares,
amigos, colegas de trabalho, do mundo, de Deus (independentemente da sua crença
ou concepção). Querer ser puro e angelical somente dificulta as trocas que
precisamos realizar com todos os seres.
Neste segundo texto, queremos insistir no quanto é decisivo
cultivar a gratidão pelas conquistas anteriores em nossas vidas, mas, ao mesmo
tempo, querer mais de si e da Existência. Isso exige ação. Afinal, estamos
juntos neste texto para responder à questão o que estamos fazendo com nosso
poder pessoal. Já o possuímos, mas estamos usando? Esse poder é maior do que
nossas limitadas crenças repetem em nossas cabeças! Nosso chamado é para algo
maior, que é o refinamento da nossa consciência pessoal para que esta possa
perceber as outras consciências maiores e suas leis operando o tempo todo. Este
é o desafio!
Façamos um acordo: expressar gratidão
profunda e verdadeira por tudo o que somos e já conquistamos até este momento
das nossas vidas e uma postura de criança que sempre pergunta “de
depois?”…queiramos mais e nossa expansão romperá todas as imaginárias fronteiras que o medo traçou nos mapas das nossas ilusões.

