Sucesso, glamour, ostentação, saúde, viagens, dentes mais brancos, roupas da moda, palavras de ordem…até parece que é somente disso e de outros itens similares que a vida atual vale ser considerada vida… No grande palco da existência corremos o risco de representar o que não somos e de fazer o que não queremos…para se "encaixar" no padrão, não ser o "estranho no ninho"…pagamos muito caro (com dinheiro também, e muito!) para viver a dicotomia de ser alguém mas ter que parecer ser outro…
Muita coisa consideramos quando jogamos pela janela o que nossa Alma deseja manifestar ao mundo:
a ilusão de ficar sozinho (como se já não o fôssemos neste mundo que promove o individualismo e o isolamento das pessoas)…
o medo de não ser aceito e, portanto, deixar de pertencer a esse ou aquele grupo…
a falta de amor próprio para pensar com os próprios pensamentos…
a desilusão e a falta de acreditar um pouco mais no Mistério da Vida..
Indo direto ao ponto: pelo comodismo tão celebrado nesses dias de wireless e controle-remoto, parece ser "mais fácil" deixar tudo como está para "ver como é que fica"… Isso é coisa do nosso mundo superficial, da nossa personalidade mais rasa…
Mas há alguém que não aceita por muito tempo esse movimento de viver na superfície, de se instalar na periferia da vida e ficar sobrevivendo de pequenos fragmentos de felicidade…é a Alma. Esta é a verdadeira peregrina que habita em nós, que almeja (coisa de alma, mesmo!) outros céus, outros valores, outras práticas…
A Alma grita no deserto da existência para ser reconhecida e para que lhe seja oferecido um alimento mais nutritivo nesses cotidianos tão entediantes e vazios que teimam em se mostrar nos poucos intervalos do nosso ativismo camuflado em trabalho e mil e oitocentas e tantas atividades tolas e sem sentido…a Alma não se deixa iludir pelo discurso justificador que para tudo tem alguma explicação, ainda que incompleta…
A Alma grita no deserto seco de tantas vidas sem sentido, movidas pelo combustível insuficiente de encontros, reuniões, passeios pontos viciados de visitação e com hora marcada para acabar…Não, absolutamente, não!
A Alma está carente de amor genuíno e para isso grita para que você e eu voltemos nossa atenção para nosso coração para curar profundamente nossos sentimentos poluídos, contaminados e fragilizados em um mundo que caminha cegamente multiplicando conhecimentos sobre tudo mas, cada vez mais, se distancia da Sabedoria, o néctar anelado pela Alma, pela Essência que habita em cada um de nós e olha através dos nossos olhos (as janelas da alma!) em busca de algo que ela já sabe: está dentro de cada Ser que faz algum movimento para perceber a loucura de tantas correrias e acúmulos materiais enquanto o mais valioso está subalimentado, doente, empobrecido e pouco ouvido… por isso a Alma grita no deserto da existência…ouviu?





