É só olhar à volta para perceber que vivemos dentro de uma grande vitrine. Tantos outdoors, banners, placas, selos, sons…todos anunciando algo a ser consumido…
O insistente "Quem sou eu?" corre o risco de ser substituído por "Que mercadoria sou eu?"… Com o fim da confidencialidade e da privacidade do nosso viver em sociedade, tudo passa a ser visto como peça de marketing ou automarketing, tudo ganha ares de consumo, consumo rápido, preferencialmente…fast-food!
E nesse contexto de tanta exposição e tanta luz de vitrine translúcida nossa essência recua para o mais recôndito espaço interno de nós e, assim, escondida em nossas profundezas, tem sua presença adiada, distanciada, ignorada… essência que foi feita para brilhar, agora nem sequer é percebida…
Nesse cenário de vitrine, de mercadorização de nós mesmos, a autofagia, essa devoradora atitude de nos expor desde o mais trivial até aquilo que é mais pessoal, mais íntimo, nos empurra para uma solidão avassaladora, longe de nós mesmos! Submeter-nos à ditadura da superexposição é aceitar correr o risco de viver muito tempo fora de nós, e, fora do nosso mundo interior, nos enfraquecemos, perdemos brilho, motivação e energia para realizar nossos Sonhos, nossa Missão de Vida!
Como viver nossa Missão de Servir à humanidade, se, perigosamente, estamos permitindo a mercadorização da nossa vida cotidiana? Como ser generoso, se estamos aceitando as etiquetas de "Vende-se" coladas em nosso estar no mundo?
Estamos vivendo longe de nossa essência!
E quando nos distanciamos do nosso coração, tudo é efêmero, passageiro, de sentido superficial e gerador de decepções. Quanta decepção experimentamos porque estamos nos colocando longe do nosso sentir profundo, da nossa alma tão adoecida nessa exposição que não leva a nada a não ser à desagradável experiência de entrar numa frenética corrida para criar novidades todos os dias…
Para que isso, se, cada dia já é uma novidade, a cada instante você e eu somos novidades incríveis, nessa mudança contínua? Ignoramos tudo isso porque estamos aceitando ser vendidos e nos vender nessa vitrine de consumismo do que é superficial, do que não tem essência, sentido, alma…
Viver numa vitrine é sobreviver sem a simplicidade inteligente, aquela que nos conduz a cultivar a essencialidade e a verdade de cada um de nós para nós mesmos, por isso, tem imenso valor resgatar a vitalidade incrível do "Quem sou eu?"…agora. Já.

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