Tendo uma longa, diversificada e feliz formação nas chamadas
Humanidades, adotando como missão pessoal o apoio ao desenvolvimento integral
das pessoas, quero apenas compartilhar algumas percepções sobre
nosso momento atual, sem nenhuma pretensão de oferecer respostas conclusivas ou
soluções para esse movimento que tanto nos incomoda porque fazemos parte da imensa
raça humana.
“O mal do Século é a solidão”, conforme
cantou Renato Russo. Nos dias atuais isso é ainda mais perceptível. O
contraditório disso é que estamos vivendo a Era da Hiperconexão Tecnológica em
contraste com um isolamento e um individualismo que – rapidamente – devoram
nossas convivências pele-a-pele, olho-no-olho e enfraquecem nossas
disponibilidades e habilidades para estabelecer contato. Estamos perigosamente
hibernados, olhando pela janela de LCD e perdendo o espetáculo da Vida que
magicamente acontece dia e noite…
Tornamo-nos, estranhamente, uma multidão
de robôs teleguiados pela falsa impressão de que temos muitos amigos e muita
gente com quem teclar. Isso é muito bom, porém, nosso mundo interno precisa
mais do que isso!
Vejo repetidamente adolescentes e
crianças que nem sol tomam, não brincam, não vibram, estão ilhados em seus
quartos perdendo o brilho dos seus olhos e de suas esperanças nas ondas das
redes sociais, que são maravilhosas, mas
impotentes para alimentar sonhos e
projetos de Vida.
As almas
que habitam esses corpos que pouco movimento fazem e que ficam estáticos, passivos, sorvendo
qualquer produto que habita as telas, estão famintas por mais Vida, mais
alegria, mais vibração e mais convivência. Inegável essa fome e essa
sede...porém, estão recebendo um alimento pobre em nutrientes que
verdadeiramente possam nutrir suas almas e seus espíritos.
Minha
proposta é simples, porém, desafiadora: tirar tempo para sentir o vento, o
cheiro que vem dos eucaliptos, ouvir o canto dos pássaros neste início de
primavera, observar nas árvores a variedade de ninhos com seus filhotes sendo
cuidados por suas mamães e papais, integrar-se consciente e voluntariamente
nessa orquestra de Vida e movimento.
Se você
seguiu comigo neste texto até aqui é porque seu coração identificou-se com este
meu pequeno gesto em favor da vida plena, incluindo, sim, as redes que nos
conectam ciberneticamente com multidões gigantescas, mas que são muito pequenas
para saciar nosso apetite por
infinito... portanto, passe adiante este convite de retorno ao centro de
si, ao mundo interno e ao poderoso movimento de se abrir para os
relacionamentos interpessoais que tanto trazem desafios e frustrações mas, que
paradoxalmente, são a fonte de nossa alegria em continuar vivendo e colaborando
com a luz que ilumina tantas almas neste
Caminho de Vida, que nos conduzem para novos universos de significados e
sentidos, suficientes para nos salvar das estranhas veredas e labirintos que
teimam em crescer nos corações, em oposição ao Luminoso dentro de cada ser
humano neste lindo Planeta!

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