sábado, 20 de setembro de 2014

A HIPERCONEXÃO TECNOLÓGICA E A SOLIDÃO HUMANA: QUE FALTA FAZ UM ABRAÇO

      As mídias desta segunda década do Século XXI tem repercutido os altos números de suicídios no Planeta inteiro. Os estudiosos do fenômeno se mostram, naturalmente, preocupados. Profissionais da saúde, educadores e outros profissionais são instados a encarar os rebatimentos que os auto-extermínios e as tentativas de por um fim à própria vida tem gerado no seio das famílias e nos demais círculos sociais.


       Tendo uma longa, diversificada e feliz formação nas chamadas Humanidades, adotando como missão pessoal o apoio ao desenvolvimento integral  das pessoas, quero  apenas compartilhar algumas percepções sobre nosso momento atual, sem nenhuma pretensão de oferecer respostas conclusivas ou soluções para esse movimento que tanto nos incomoda porque fazemos parte da imensa raça humana.

        “O mal do Século é a solidão”, conforme cantou Renato Russo. Nos dias atuais isso é ainda mais perceptível. O contraditório disso é que estamos vivendo a Era da Hiperconexão Tecnológica em contraste com um isolamento e um individualismo que – rapidamente – devoram nossas convivências pele-a-pele, olho-no-olho e enfraquecem nossas disponibilidades e habilidades para estabelecer contato. Estamos perigosamente hibernados, olhando pela janela de LCD e perdendo o espetáculo da Vida que magicamente acontece dia e noite…

       Tornamo-nos, estranhamente, uma multidão de robôs teleguiados pela falsa impressão de que temos muitos amigos e muita gente com quem teclar. Isso é muito bom, porém, nosso mundo interno precisa mais do que isso!

       Vejo repetidamente adolescentes e crianças que nem sol tomam, não brincam, não vibram, estão ilhados em seus quartos perdendo o brilho dos seus olhos e de suas esperanças nas ondas das redes sociais, que são maravilhosas, mas  impotentes para alimentar sonhos e projetos de Vida.

     As almas que habitam esses corpos que pouco movimento fazem e  que ficam estáticos, passivos, sorvendo qualquer produto que habita as telas, estão famintas por mais Vida, mais alegria, mais vibração e mais convivência. Inegável essa fome e essa sede...porém, estão recebendo um alimento pobre em nutrientes que verdadeiramente possam nutrir suas almas e seus espíritos.

     Minha proposta é simples, porém, desafiadora: tirar tempo para sentir o vento, o cheiro que vem dos eucaliptos, ouvir o canto dos pássaros neste início de primavera, observar nas árvores a variedade de ninhos com seus filhotes sendo cuidados por suas mamães e papais, integrar-se consciente e voluntariamente nessa orquestra de Vida e movimento.

    Se você seguiu comigo neste texto até aqui é porque seu coração identificou-se com este meu pequeno gesto em favor da vida plena, incluindo, sim, as redes que nos conectam ciberneticamente com multidões gigantescas, mas que são muito pequenas para saciar nosso apetite por  infinito... portanto, passe adiante este convite de retorno ao centro de si, ao mundo interno e ao poderoso movimento de se abrir para os relacionamentos interpessoais que tanto trazem desafios e frustrações mas, que paradoxalmente, são a fonte de nossa alegria em continuar vivendo e colaborando com a luz que ilumina tantas almas  neste Caminho de Vida, que nos conduzem para novos universos de significados e sentidos, suficientes para nos salvar das estranhas veredas e labirintos que teimam em crescer nos corações, em oposição ao Luminoso dentro de cada ser humano neste lindo Planeta!


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